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Auto-Mumificação. Templo de budismo esotérico: Kaikoji; seita Shingon.

Sakata Travel Blog

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Kanmanji no Outono

Os professores Doulin (Rússia) e Ashmore (UK) são uns queridos e tratam os alunos como florzinhas, mesmo eu, que oficialmente nem sou aluna deles!:-) Mas como meto sempre o meu nariz em tudo acabo por arranjar docinhos como esta viajem limitada a 18 pessoas. E que viajem! Desta vez o objectivo principal foi o de visitar as 2 múmias budistas que se encontram no templo Kaikoji, cidade de Sakata na vizinha prefeitura de Yamagata. Ponto de partida: 9 da manhã em frente ao dormitório. Oops, eu quase, quase que adormeci e entrei no autocarro ainda a mastigar o pequeno-almoço à pressa. Sendo que é domingo de manhã e ontem à noite houve uma festa qualquer relacionada com cerveja (eu fiquei a ver futebol australiano com o Max e a Katrina!!!) não é de admirar que praticamente toda a gente adormeceu logo.

Passo a explicar:
Primeira paragem: Templo Kanmanji! Já cá tínhamos estado numa outra viajem, mas vale sempre a pena voltar, principalmente se tivermos o Professor Doulin para explicar umas coisitas (já referi que o japonês dele é assombroso?). E o Outono no Japão torna tudo infinitamente mais bonito. Morro de amores por esta estação, é de cortar a respiração!! Mas a senhora do templo disse que a árvore Tsubaki é a mais bela no Inverno (ou foi isso que eu percebi com o meu pobre japonês :-) ). Depois de muitas fotos e explicações interessantíssimas do P. Doulin lá voltamos para o autocarro e a próxima paragem foi em Fukura, costa do Mar do Japão para vermos imagens budistas esculpidas nas rochas à beira-mar. Para não perder muito tempo com explicações vou incluir uma foto com a história toda em inglês.
Estátuas
Impressionante. Finalmente seguimos caminho para Sakate, o motorista ia-se enganando e seguir caminho para o Monte Chokai. Isso até não era nada mau, pois vimos em Kanmanji que já há neve nas montanhas altas (como Chokai) e era óptimo podermos ir até lá!! Chegados finalmente ao Templo Kaikoji fomos explorando o exterior enquanto esperávamos pela abertura do museu. Sakate está completamente rodeada por montanhas no horizonte, o templo encontra-se numa elevação natural e de lá pode-se observar toda a cidade. As montanhas Dewasanzan ainda hoje são consideradas sagradas e nelas ainda persistem muitos Yamabushi (espécie de eremitas, investiguem!) que juntam práticas ascéticas de Shinto aos ensinamentos esotéricos do budismo.
A olhar o céu!
Perdão para que não faz ideia do que estou a falar!! Finalmente a responsável abriu o museu e as portas dos santuários onde se encontram as múmias. Tudo num ritual elaborado que implica acender velas, queimar incenso, fazer soar o gongue e oração. Então começou a explicação da história, local e processo de auto-mumificação, traduzido pelo professor Doulin. Vou tentar resumir: para se auto-mumificarem os monjes mantinham uma dieta especial de nozes e casca de árvore com algumas ervas de forma a reduzirem progressivamente a massa corporal e gordura. Para acompanhar bebiam água de uma fonte particular que sabiam estar contaminada com arsénico e outros minerais perigosos, mas que ajudam à preservação das fibras. Isto coincidia com práticas ascéticas, meditação e exercícios físicos especiais. Para tal os monjes passavam anos em treino no Monte Yudono, uma das múmias demorou 5 anos neste processo, a outra cerca de 3. Quando se aproximavam da morte os monjes eram colocados em túmulos no subsolo a 3 metros, cobertos por rochas e com apenas um tubo de bambú a ligá-los ao exterior para poderem respirar. Então tinham consigo uma campainha que faziam soar para demonstrar que ainda estavam vivos. Quando a campainha deixava de se fazer ouvir removiam o corpo para confirmar a morte e depois voltavam a enterrá-lo durante 3 anos e 3 meses. Passado este período as múmias eram desenterradas para confirmar o sucesso ou não da mumificação e, caso sucedessem eram adoradas como budas. Ao todo existem hoje no Japão 16 múmias deste tipo, as de Sakata têm 250 e 180 anos, mas há outras no Tibete e alguns países no sudeste asiático.
PIZZA para almoço
 Não era permitido, mas surripiei aqui um curto vídeo das múmias (fraca qualidade). A senhora responsável ofereceu-nos o-mamori feitos das ropas das múmias (que são trocadas a cada 20 anos). Depois disto fomos almoçar. Que maneira de ganhar apetite! Paramos num restaurante familiar e o meu grupo de americanos atacou pizzas e batata frita! Yay! Nunca nos dão disto na AIU! Para não falar no nomihodai all-you-can-drink-bar por 200 ienes. Bebemos cappucino, cacao, batido de baunilha, sumo de laranja, limão e soda de melão (verde com bolhinhas!) até rebentarmos! Depois disto nada melhor que uma visita ao Museum of Sake by Hatsumago. Já referi que os americanos gostam de beber? É que neste museu estão disponíveis 9 tipos diferentes de sake para prova.
Eu não bebi...
Em quantidade. Podem imaginar o sufoco à volta da mesa! Eu por mim sake nem pensar, mas comprei um conjunto de porcelana e dois copos quadrados tradicionais a imitar laca. No final ofereceram-nos um copo de sake a cada. Tão porreiro! Para finalizar fomos até ao rio onde, por esta altura, se reúnem milhares de cisnes e patos das migrações. Os cisnes cinzentos são os mais lindos.

Ok, agora para explicar este vídeo: o primeiro anime que seguimos com o Ashmore foi Nadia (39 episódios em 3 semanas!) e a malta ganhou o gosto ao tema do opening, até o cantavam durante a sessão. parece que nasceu uma aposta entre o Ashmore e os alunos que ele lhes pagava um copo em troca de cantarem a canção no autocarro para toda a gente.

Nadia no uta!
E cantaram! 4 vezes! O pessoal até implorava para pararem. Então eu ensinei-os a cantar o "Atirei o pau ao gato"! Foi de chorar!! Mas o melhor tava para vir quando a Alex precisou urgentemente de uma toillete e não havia uma à vista em quilómetros. O motorista teve de encostar à berma na auto-estrada, as raparigas fizeram uma muralha à volta dela e desatámos a cantar o tema de Nadia ali na estrada. Hilariante! Para sorte dela já tava escuro, mas o pessoal tava numa de reinar e fugiram com o autocarro por uns metros. Chegados à AIU fomos todos até à única lojita aqui perto e pedimos sofuto kurimu, ou seja, gelado. Tava tão cheia do almoço que nem fui jantar. Ainda bem que não adormeci!!!!

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Kanmanji no Outono
Kanmanji no Outono
Passo a explicar:
Passo a explicar:
Estátuas
Estátuas
A olhar o céu!
A olhar o céu!
Múmias
PIZZA para almoço
PIZZA para almoço
Eu não bebi...
Eu não bebi...
Nadia no uta!
Kanmanji
Kanmanji
Kanmanji
Kanmanji
Estátuas
Estátuas
Estátuas
Estátuas
Kaikoji
Kaikoji
Mandala
Mandala
Zen!
Zen!
vista
vista
Kaikoji
Kaikoji
Museu do Sake
Museu do Sake
Empurra pa baixo!
Empurra pa baixo!
Museu do Sake
Museu do Sake
Foto de grupo!
Foto de grupo!
Cisnes!
Cisnes!
Sakata
photo by: azurazur