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Uma Relíquia do Povo

Beijing Travel Blog

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              Às sextas-feiras de tarde a Bruna tem saídas de estudo com o resto do curso intensivo dela. Ela perguntou à professora dela se eu também podia ir e eu acabei por ir passear também à Avenida Lijiu.

             Lá, passeamos por entre as lojitas de construções tradicionais a vender todo o tipo de produtos, desde pincéis e pinturas a roupas e chás. Frente à loja de chás estava uma menina vestida a rigor a oferecer uns copinhos de chá de jasmim para os visitantes experimentarem.

Adorei o chá e acabei por trazer uma saquinha comigo.

 

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              Lojitas visitadas, hutongs exploradas, eu a Bruna fomos ter mais cedo ao ponto de encontro e sentamo-nos no parapeitozinho de uma das lojas da larga avenida para descansar os pés doridos .

              Passado pouco tempo chegaram as duas colegas de curso da Bruna com quem tinha almoçado nesse dia.

Entre nós, conversamos em Inglês, claro! :p 

 

              E eis então que passa por nós um velhotinho chinês montado na sua bicicleta, a puxar um atrelado a abarrotar de tralha . O senhor, ao nos ver às quatro sentadas na berma da estrada, parou, cumprimentou-nos e desmontou da bicicleta. Pegou de um jornal plastificado do meio da sua tralha e veio meter conversa connosco, em Inglês! Ainda nos tentou convencer a ir para o outro lado da rua, sentarmo-nos à sombra de uma árvore a alguma distância dali. Mas como nós não podíamos daquele sítio, acabou por se resignar ao lugar ao sol escaldante, e sentar-me à nossa beira.

 

             O senhor era tão querido! Primeiro, apanhou-nos a todas de surpresa quando começou a falar inglês connosco.

De aspecto desgrenhado - sujo mesmo, - com um dente apenas a espreitar da fronte da boca e já nos seus 74 anos, o senhor sabia falar inglês, coreano e japonês também! Enquanto esperava connosco os nossos colegas lia o jornal inglês que trouxera em voz alta, para que eu lhe corrigisse a pronúncia e lhe explicasse o significado desta ou daquela palavras que ele desconhecesse (que não eram, de todo, muitas!).

 

            Quando esgotou os títulos e subtítulos para ler, dedicou-se a ensinar-me uma canção japonesa ao mesmo tempo que me explicava o significado. Ainda me lembro do primeiro verso, acho que não o vou nunca esquecer, assim como àquele velhotezinho simpático, tão cómico, que tomou interesse numas estrangeiras deslocadas ali, sentadas à berma de uma das estradas movimentadas de Beijing.

 

             A certa altura, aproximaram-se de nós uns vendedores a tentar impingir-nos os pequenos livros vermelhos de Mao.

O senhor enxotou-os, a dizer que a nós o Mao não nos interessava, que não queríamos nada com eles, eles que se fossem embora. Mas isto tudo numa descontracção animada e numa familiaridade fantástica entre gente que não se conhece de lado nenhum!

 

            Quando finalmente chegaram os nossos colegas e nós nos levantamos para os seguir, ele levantou-se também, sempre a entoar a música e a incentivar para que a cantasse com ele. Cantávamo-la os dois enquanto eu me afastava com os meus colegas, e ele seguia atrás, na sua bicicleta, sempre a cantar e a acenar adeus. Seguiu-nos ainda um bom pedaço, o velhinho.... :)

 

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photo by: Deats