AsiaChinaBeijing

A Viagem

Beijing Travel Blog

 › entry 1 of 32 › view all entries

           

 

             Às 23:30 apanhei o autocarro que saía da estação de Braga rumo à capital. Parámos no Porto, em Aveiro, se não me falha a memória, e em Fátima. Não consegui dormir durante a viagem por os assentos serem desconfortáveis e por ter companheiros de viagem extremamente chatos e barulhentos sentados mesmo por trás de mim. Por fim, 5 horas depois, chegamos ao aeroporto. A muito custo peguei na pesada bagagem que trazia e fui à procura do balcão de Check-In do meu voo para Heathrow. O painel electrónico mesmo à entrada orientou-me facilmente. Era, contudo, bastante cedo, o meu voo era apenas às 8:25.

             

             Os balcões da British Airways só abriam às 6:30, mas a partir das 6 pude fazer o primeiro passo do check-in  numa engenhoca de lá que servia para o efeito, com a ajuda do funcionário. Às 6:30 fui a primeira a despedir-me da minha ‘malona’. Tinha medo que fossem implicar com o peso dela (pesava que nem uma bigorna) e/ou pelo tamanho (era ‘gigantona’). Mas, disseram-me mais tarde que se deveu provavelmente a ter sido uma das primeiras a fazer o Check-In, a mala passou sem problema! Eu tinha ido comprar uma mala nova na noite anterior porque a mala que a minha irmã me tinha dado no natal acabou por ser demasiado pequena para tudo o que tinha para trazer comigo para a China...

 

             Depois de telefonar à British Airways, e eles me dizerem que só podíamos levar uma pequena mala de mão connosco, uma mala de viagem para o porão, cujo peso máximo era de 23kg com 5/6 de tolerância, e que caso pretendêssemos trazer algum saco extra, teríamos que pagar 177€ por cada peça, achei mais rentável levar antes um grande malão e pagar um tanto por kg, se se desse o caso. Não podia nunca era ultrapassar os 32kgs. Levei ainda algum dinheiro comigo porque não tinha ideia de quanto pagaria por cada kg extra: uma amiga disse que seriam 8€, outra disse 35€, e a BA simplesmente não me soube dizer! Acabou por não ser necessário, felizmente, embora quando viesse a recolher a mala mais tarde, ela ter afixado um autocolante a indicar a mala como “carga pesada de 32kg”! Rés véz campo de Ourique!, porque com ou sem taxa de penalização por kg, tinha lido na net que acima de 32kg já não era mesmo permitido!

 

            Ainda no balcão de Check-in, depois de (com tremendo esforço!) erguer a mala até à passadeira rolante, a hospedeira, enquanto se inclinava para a frente para ver o que tinha pousado aos meus pés, perguntou-me se trazia algum saco de mão. Também tinha receio de ter problemas com este... Junto ao balcão tinha um cesto rectangular com um painel informativo a chamar atenção às medidas do saco/mochila/mala de mão, que teria que caber nesse mesmo cesto, para que pudesse ser guardado debaixo do assento ou nas bagageiras da cabine do avião. Tinha tido bastante tempo livre antes de abrirem os balcões para confirmar as minhas fundamentadas suspeitas de que, de facto, a minha mochila não preenchia o tal requisito do cesto... Apesar de já levar 32 kg na mala de porão, as coisas mais pesadas, como os livros e o portátil, tinha-as encafuado todas na mochila de costas. Portanto, além de pesar quase tanto como a mala de porão, a mochila, que era já de si um modelo grandito, tinha um quico, um quiquinho só!, de volume a mais... Mas a sorte estava do meu lado, e a espreitadela breve que a hospedeira deu à mochila enquanto eu lhe respondia rápida e dismissively que era “só uma mochila de costas”, não denunciou o peso de partir a coluna, nem a barriga protuberante do saco.

 

            Melhor para mim!

 

            A partir daí era só fazer o possível para manter uma expressão neutra, pain free, enquanto o mais naturalmente possível fazia o maior esforço que exercia desde a minha última tentativa patética de fazer elevações e erguia o saco primeiro até à anca, e depois, com um saltinho de empurrão, até ao alto das costas. O andar assim meio para o coxo e a postura corcunda passariam, esperava, por uma infeliz condição física minha.

            A mochila passou assim sem problemas também.

 

Feito o Check-In, dirigi-me ao Boarding Gate correspondente. Lá, tive que mostrar o passaporte e bilhete e passar os meus pertences pela máquina de segurança. O portátil tive que o tirar para fora da mochila e metê-lo num cesto, e em cestos separados passaram também a mochila e o casaco. Porque me tinha esquecido de que levava o telemóvel no bolso, as barreiras da segurança apitaram, e uma senhora da segurança fez-me o favor de me descobrir o objecto culpado, e de mo passar pela máquina também. Quanto à mochila, como só me perguntaram se não levava lá líquidos e não pegaram sequer nela, e como a passadeira rolante teve a graciosidade de não quebrar sobre o seu peso!, passou mais uma vez, impune.

 

*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

 

            Fiquei bastante desiludida com o avião da British Airways. As condições dele não se equiparavam nem de longe às dos outros aviões nos quais viajara. Pelo contrário, deixavam muito a desejar. Entalada entre um British gentleman e um simpático senhor que de bom grado, acredito, ocuparia ambos o lugar dele e o meu, com um espaço diminuto entre o meu banco e o da frente (agravado pela mochila que ia a meus pés, por realmente não caber debaixo do assento...), e uma leve sensação de claustrofobia e tensão nos músculos, esta viagem de 2 horas e tal foi, embora a mais curta, a que mais me custou a passar. O livro que levara para ler em pouco ajudou devido ao sono; o sono não teve remédio devido ao desconforto (desconforto do qual aparentemente não sofria o bonacheirão senhor ao meu lado que, insuspeito, fazia frente ao roncar do motor do avião); olhar pela janela ao meu lado esquerdo não era uma opção muito agradável devido ao gentleman que se encontrava nessa mesma linha de visão muito se mostrar incomodado e agitado quando olhava na sua general direction, e eu não queria enganar mais e dar a impressão de que o queria papar…

 

            Não, não foi um voo muito agradável.

 

 

            Muito convenientemente (para mim!), só na hora da aterragem se lembrou um dos hospedeiros de olhar para a mochila aos meus pés e de pedir para a meter debaixo do assento. Ao meu “Er…it doesn’t fit…” respondeu ele com um receado “put it up there then” e virou costas. Enquanto o senhor à minha direita - que entretanto já tinha desistido de ganhar ao zurrar do motor em resistência o que tinha conseguido em sheer sound volume, - se ocupava com o remover do cinto para me dar passagem, eu amaldiçoava a física e todas as suas estúpidas leis de gravidade e de espaço. Andei um pouco aos tropeções naquele curto espaço do corredor enquanto tentava erguer a mala até ao nível dos meus ombros, até que o simpático e encorpado senhor tomou pena de mim e emprestou-me um par de mãos que ajudou a transportar a mochila até à bagageira.

 

            Claro que ela não coube, mas foi um bom show.

 

 

            Ao hospedeiro que regressava, aborreci-o com um “it, er…doesn’t fit here either”, o que o fez bufar e dar-me o esperado descasque, que a mochila devia ter ido para o porão. O castigo dele (e muito bem merecido!) foi arrastar, literalmente, a minha mochila até à porta de um armário embutido na parede da cabine do avião e debater-se com esta para a enfiar lá dentro. Diz-me ele: “This bag is… big!”

            “And… heavy?”

            “Yeah!...” Mas, vá lá, ficou por aqui.

 

Entretanto, chega uma outra hospedeira que, por alguma razão que me ultrapassa, insuspeita, decide que a mochila não está bem naquele armário, que tem que ir para o armário do lado oposto. Também foi engraçado… >D

 

Quando mais tarde saía do avião, diz-me ela que aquela foi a mochila mais pesada em que já pegou.

 

*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

 

Como em Heathrow ia mudar não só de avião, mas também de companhia, tive que ir buscar a mala, verificar o passaporte e repetir todo o aborrecido processo de segurança novamente, só que desta vez tive inclusive que tirar as sapatilhas e passá-los por um detector!

 

Este aeroporto era bastante maior que o de Lisboa e estava apinhado de gente de todas as nacionalidades. No meio de tamanha confusão, e a ter que arrastar os meus malões atrás de mim, foi-me mais difícil encontrar a minha porta de Check-In. Para lá ir ter, tive que sair do aeroporto e voltar a entrar por outro lado. O que até foi motivo de alguma alegria, na verdade, por significar que, tendo saído do território internacional do aeroporto, cheguei a pisar território inglês (será que conta? :p). Vi também os condutores a passear do lado errado da estrada, o que foi outro plus!

 

            A fila onde primeiro me enfiei acabou por ser a linha para a Jamaica. Realmente, o facto de eles serem todos africanos estranhou-me um pouco - estava a contar com árabes, - mas já estava tão cansada por essa altura... não ia ser picuinhas! :D

 

*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

 

No voo da Qatar, como seria de esperar, havia muitos árabes. Na sala de espera do meu voo, um Paquistanês mete conversa comigo, diz-se muito aborrecido porque ninguém parecia querer falar. Mas na verdade eu já estava tão cansada que não foi com grande pena minha que descobrimos que não ficávamos sentados perto. Já não dormia há muito tempo! E ele falava tão baixinho!...

Contudo os árabes deixaram-me uma impressão bastante positiva do breve contacto que tive com eles durante a viagem. Contrariamente ao que eu esperaria, confesso, eles foram dos mais corteses e afáveis com quem me cruzei.

 

O avião desta companhia, sim, era luxuoso. A cada passageiro eram cedidos um cobertor, uma almofada e uns auriculares. Cada lugar tinha o seu próprio ecrã, na traseira do banco do passageiro imediatamente à frente, que se operava com um pequeno e prático comando com encaixe no braço da cadeira. Aí ligavam-se também os auriculares, et voilá!, acedia-se instantaneamente a uma imensidão de programas! Tinha CDs completos de todo o género de músicas, antigas e recentes; vídeo-clips também; filmes e séries de todos os tipos, também clássicos e novidades; uns poucos de canais de televisão; jogos; etc. Não faltava com que me entreter nos voos de 8 mais 6 horas que tinha pela frente, mas o problema era que tinha sono... O que queria era mesmo dormir...

Mas não houve maneira de conseguir dormir durante a viagem.

Os bancos, embora relativamente espaçosos, não ofereciam o conforto necessário para dormir, mesmo estando cansada como estava. Depois, claro, vêem as longas horas de voo, que em nada ajudam.

 

Para acrescentar ainda mais ao desconforto, os meus ouvidos queixaram-se da mudança de pressão quando o avião começou a diminuir de altitude... A minha irmã tinha-me comprado umas chicletes de propósito para mascar nestas alturas, porque ajuda a equalizar a pressão nos ouvidos, mas eu não as tinha encontrado quando as procurara, mais cedo, na mochila - estava tanta coisa encafuada lá dentro!

 

Por cima do ombro da minha companheira de lugar, ainda consegui vislumbrar um pouco da cidade de Qatar, com as suas palmeiras e edifícios lindos iluminados pelas lâmpadas e luzes das habitações. Gostei tanto do que vi, simpatizei tanto com as pessoas de lá qom quem me cuzei, que decidi que tenho que passar por lá um dia!

 

*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

 

No aeroporto de Qatar, mal saí do avião, fui logo assaltada por um ar quente, muito abafado, e aromático também! Tinha um cheiro muito particular, de uma maneira imensamente agradável, o ar de Doa. Mais um atractivo a acrescentar ao pouco que conhecera do país, e um que lhe assentava muito bem!

 

A transição do voo de Heathrow/Qatar e Qatar/Beijing foi bastante rápida e directa. Por esta altura estava já podre de cansaço, mas nem assim consegui dormir no avião… Durante as longas horas de voo fiquei a conhecer um dos hospedeiros de voo, um Indiano muito querido, que meteu conversa comigo. Ganhei sumos à pala à conta disso! Portanto estava perfeitamente confortável com a simpática atenção, até ele me ter perguntado se eu era casada! :D

 

             Neste voo, onde seguiam naturalmente mais chineses que outra coisa, tive a minha primeira constatação da curiosidade destes em relação aos waiguoren (estrangeiros). Seria de esperar que num ambiente tão completamente internacional como o do aeroporto, eles não olhassem duas vezes para os estrangeiros, mas eles ficavam especados a olhar como se nunca antes tivessem visto coisa igual!

             Apesar de tudo, os chineses que encontrei foram muito simpáticos comigo! Quando cheguei ao meu lugar dois chineses içaram-me a mala por mim até a bagageira (nesta coube, vá lá!). No fim da viagem, quando todos se levantaram para pegar nos seus pertences e sair do avião, outro senhor chinês tirou a minha mala por mim também!

 

*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

            O aeroporto chinês foi o mais bonito por que passei. Muito amplo e iluminado, com bonitas gravuras e estatuetas chinesas por todo o lado. Foi, no entanto, onde perdi mais tempo a tratar de papéis e mais papéis que nos davam para preencher! Quando finalmente me livrei da papelada e das filas intermináveis e peguei na minha bagagem (que, alas!, não se tinha extraviado como receava), saí do terminal para encontrar uma enchente de gente! Pensei que não fosse encontrar a Bruna, que me tinha ido esperar ao aeroporto, no meio daquela confusão imensa! Mas lá acabei por a ver, uma cabeça encaracolada no meio do mar de cabeças chinesas.

 

            Cansada, ansiosa por chegar ao dormitório e tomar um banho, a última coisa que queria era meter-me em mais uma fila enorme. Mas foi o que encontrei á saída do aeroporto, desta vez para apanhar o táxi. Lá teve que ser. Que remédio tinhamos nós senão aguentar o ar quente e incrivelmente abafado por mais um bom pedaço até chegar a nossa vez de apanharmos um táxi...

    

            O nosso motorista não me causou muito boa impressão.... Primeiro, porque deixou-se estar calmamente especado ao nosso lado a observar-nos a erguer as malas para a bagageira do carro e a tentar encafuá-las lá dentro, com muitos socos e empurrões. Depois, e mais flagrantemente, porque arrancou enquanto eu ainda só tinha enfiado uma perna dentro do táxi! Os meus primeiros “Hey! Hey!!” ele não pareceu ter ouvido, teve a Bruna que gritar “Wait! Stop!!”, de dentro do táxi. Claro, que quando ele parou, de repente, eu bati com a cabeça na porta aberta. Ao meu “Xiaoxin ah!” (Cuidado!), respondeu com um breve aceno de cabeça e uma gargalhada! Aiaiai

 

             *+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*+*

 

 

filomenisabel says:
Oh Anitinha, tá demais!! ...pra quem te conhece e te consegue imaginar neste cenário. Continua a animar a malta ;)
Posted on: Aug 22, 2007
HugoAguiar says:
Ri-me bué com as tuas malas :D, hehe! Tens de refilar para fazerem aviões maiores, assim já se pode levar a casita Às costas :D. Tens de levar uma almofadita a ver se consegues dormir para a proxima :).
Ainda bem que estás a curtir bué! a proxima vez q te vir espero encontrar o mmo brilho nos olhos com que te vi antes de partires :D. beijão gde *******
Posted on: Aug 16, 2007
Jaina_me says:
o melhor é termos todas xiaxin para não levarmos meias rotas:):) vou fazer o mesmo que tu e vou levar a casa toda atrás:)
Posted on: Aug 16, 2007
Join TravBuddy to leave comments, meet new friends and share travel tips!
Beijing
photo by: Deats